A integridade envolve a convergência entre palavras e ações. Uma pessoa íntegra faz o que fala e o que pensa, sempre galgada pela ética e pela honestidade. E nas empresas não é diferente.
Uma empresa íntegra preza pela
coerência entre o seu discurso e suas ações. É a integridade que, em grande
parte, sustenta a confiança e a credibilidade das organizações perante seus
investidores, fornecedores, clientes, colaboradores e a sociedade como um todo.
Acontece que na prática nem sempre vemos organizações pautadas
pela integridade. Situações de greenwashing e socialwashing acontecem com uma
frequência indesejável, ainda mais em um mundo em que o desenvolvimento
sustentável, passa a ser uma preocupação de todos a partir da abordagem do ESG.
O greenwashing é, basicamente, uma estratégia adotada por muitas
empresas associada a promoção de discursos e ações ambientalmente sustentáveis
que, na verdade, não se coaduna com a realidade.
A expressão foi cunhada na década de 1980 pelo ambientalista Jay
Westerveld em um ensaio em que apontou que a prática da indústria hoteleira de
pedir aos hóspedes que reutilizassem suas toalhas como forma de reduzir os
impactos no meio ambiente era, na verdade, apenas uma forma delas economizarem
recursos com a sua lavagem.
Ao longo do tempo o termo acabou por ser estendido ao âmbito da
responsabilidade social, onde se passou a usar a expressão socialwashing como
referência às empresas que tem um discurso sobre serem socialmente
responsáveis, mas que na realidade não o são.
As ações de greenwashing e socialwashing podem, inclusive, ser
caracterizadas como propaganda enganosa.
Mas nem sempre é fácil para a pessoa comum distinguir uma
estratégia de impacto socioambiental positiva efetiva de uma situação de
greenwashing ou socialwashing. É comum, em função da complexidade dos assuntos,
que somente especialistas ou após a fiscalização de órgãos do poder público,
que práticas de uma empresa sejam assim caracterizadas.
É por isso que a organização íntegra, que efetivamente está
comprometida com o ESG, deve adotar estratégias de impacto socioambiental
positivas de forma legítima, baseada em fatos e dados passíveis de serem
mensurados e monitorados, inclusive pelas partes interessadas de uma forma
geral, com a divulgação de informações de forma transparente, e não em meros
discursos vazios.
Vale lembrar que o foco da empresa é ter lucro, mas não mais a
qualquer preço. A integridade, associada a transparência das ações adotadas
pelas empresas voltadas ao ESG passou a ser um pré-requisito para o seu
crescimento de forma sustentável. Agir de forma diferente é como "dar um
tiro no pé". Invariavelmente, em algum momento a situação de greenwashing
ou socialwashing praticada por uma empresa virá à tona e ela perderá a sua
credibilidade, a sua reputação e muitos negócios.